Arquivo para abril, 2010

A marca Varig morreu de velha

A rosa-dos-ventos já não significa muito para os jovens de hoje

Ao elaborar um artigo para a edição de 20 anos do Top of Mind, tive à minha disposição a série completa de pesquisas desde 1991. Chamou-me a atenção o fato de que, lá no início do levantamento, em princípios dos anos 90, a Varig aparecia como uma das empresas-símbolo do RS, junto com Gerdau, RBS e Tramontina.

Hoje, a Varig é uma marca secundária, que serve só alguns destinos da América do Sul. Sua controladora, a Gol, não pretende reativá-la para trechos domésticos, pelo que andei lendo. Inclusive porque a Gol descobriu através de pesquisas que “(…) a marca Varig já não diz muita coisa para jo[vens com menos de 30 anos” (Estadão, 25/09/2008)

À primeira vista, parece inacreditável que a Varig, empresa-símbolo da aviação no Brasil, não seja significativa para uma parcela expressiva dos consumidores do país. Mas, quando se analisam os fundamentos da gestão de marcas, a informação passa a fazer todo o sentido. Afinal, todo projeto de branding deve contemplar, entre suas ações, conectar continuamente a marca com o presente.

Por quê? Marcas nascem e se destacam em um determinado cenário, no qual vigoram condições sócio-econômicas, culturais e mercadológicas específicas. Agradam (ou não) aos consumidores naquele momento histórico, que pode se mostrar mais ou menos duradouro. No longo-prazo, contudo, todas as condições que fizeram o sucesso de um determinado produto ou serviço podem mudar; se, por um lado, manter a base de clientes fiéis é fundamental para garantir bons resultados, por outro conquistar recorrentemente novos consumidores é decisivo para garantir a perenidade da marca.

Novos clientes, no entanto, descartam marcas que lhes pareçam envelhecidas ou desatualizadas, especialmente quando o produto ou serviço em questão contém um apelo simbólico muito forte. Pelo contrário: os consumidores buscam referenciais contemporâneos aos quais aderir, atributos que digam respeito aos valores da época corrente.

Aparentemente, foi esse o problema que acometeu a Varig. A empresa consagrou-se com os viajantes das décadas de 60 a 80, quando voar era um privilégio. Prestava um serviço de bordo impecável e, na Europa e nos Estados Unidos, funcionava como uma embaixada brasileira informal a qual turistas podiam recorrer em caso de qualquer problema em solo estrangeiro.

Ora, os jovens de hoje nasceram em meados da década de 80. Quando crianças, a Varig reinava absoluta, mas isso era desimportante para elas. Nomes de companhias aéreas só se tornaram familiares quando já estavam na adolescência e começavam a programar as primeiras viagens sozinhos: Disney, excursões de fim de ano da escola etc. E, nesse momento, o mercado já havia mudado: as viagens estavam mais acessíveis e haviam perdido boa parte do glamour de outrora. Não existia, igualmente, um líder absoluto, um ícone; novos players de imagem mais moderna haviam sido criados, em contraposição à antiquada Varig. A crise financeira da companhia refletiu-se no serviço prestado e na própria indisponibilidade de recursos para investimentos em marketing.

Assim, não surpreende que a rosa-dos-ventos represente pouco para os jovens de hoje: enquanto o mercado mudava e o bastão das viagens aéreas passava para as novas gerações, a Varig se enredava em seus problemas administrativos e esquecia de se conectar ao novo momento.

Para os jovens, a marca Varig – não me refiro à empresa – morreu de velha.

Sr. Consumidor

O professor e consultor André D’Angelo comenta as ideias e as novas descobertas em comportamento do consumidor

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Ad-ucation | há 1 jogo na web para ensinar as crianças a entender a publicidade

O site Admongo.gov – uma iniciativa do governo norte-americano – pretende fazer com que crianças e adolescentes entendam como a publicidade funciona, quais os interesses por trás dela e como fazer decisoes de compra conscientes. No endereço, o usuário se transforma no personagem de um jogo que explora diferentes cenários e vai colecionando anúncios por onde passa. A cada fase, o jogador recebe alguns ensinamentos básicos. Segundo a Federal Trade Comission, o tom do site e do material de divulgaçao é imparcial, e o objetivo da açao é desenvolver o pensamento crítico nos pequenos. Notícia do NYTimes.

Com informações de Blue Bus.

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O PAPEL DO SLOGAN NA CONSTRUÇÃO DE MARCA

Palavra criada pelos Celtas, povo que ocupou o centro da Europa entre os séculos 1.000 a.C. e 400 a.C., o slogan era utilizado originalmente como um grito de guerra, com a finalidade de motivar os guerreiros para a luta através do estímulo a vínculos racionais e afetivos com seu povo. Mas a finalidade do slogan hoje lhe confere ainda muita semelhança com sua origem, pois mantém seu papel de mobilização para determinada ação
– de consumo – e de construir vínculos com as marcas, sendo um importante recurso no processo de construção de marcas fortes e reconhecidas.

Para cumprir eficientemente este papel, um slogan deve trabalhar ao mesmo tempo e integradamente forma e conteúdo. Como bem registrou o escritor francês Oliver Reboul em O slogan, “sua força é inseparável de sua forma” ou “uma idéia com força de venda”.

Com relação à forma, para atingir seu objetivo é importante que o slogan seja curto, conciso, simples e claro, mnemônico (fácil de memorizar), eufônico (com sonoridade agradável) e, preferencialmente, bonito do ponto de vista estético.

Quanto ao seu conteúdo, ele precisa ser preciso na missão de transmitir a mensagem desejada, que pode ser:

• Associação a atributos funcionais – Bombril, 1001 utilidades; Tomou Doril, a dor sumiu; Sedex, mandou. Chegou.

• Associação a atributos emocionais – Perdigão, se é de coração, é de verdade; Coca Cola, abra a felicidade.

• Definição de posicionamento

– Gol, linhas aéreas inteligentes; Band, integridade na informação.

• Definição de posicionamento de preço

– Telha Norte, Preço baixo é nosso forte.
• Atribuição de qualidade – Bosch car service, Qualidade e todos os serviços ao seu alcance; Vivo, conexão como nenhuma outra; Mercedes-Benz Classe E, insuperável.

• Diferenciação – Toyota Camry, sofisticação elevada à máxima potência.

• Tradição – Bohemia, desde 1853; Safra, tradição secular de segurança.

• Liderança – Boston Medical Group, Líder mundial em saúde sexual masculina.

• Globalização – No Brasil e no mundo, HSBC; O mundo, as pessoas e a Brasken.

• Transmissão de um novo conceito – Tim, você, sem fronteiras; Omo, porque se sujar faz bem; Natura, bem estar bem; Santander, valorizando idéias por uma vida melhor.

• Impacto sobre a compra – Claro, escolha; Veja, indispensável.

• Identificação – Itaú, feito para você; Casas Bahia, dedicação total a você; Leroy Merlin, a casa da sua casa; Vale, cada vez mais verde. E amarela; Brasil, um país de todos.

Mas se o conteúdo tem papel importante na construção da marca, surge uma questão sobre o uso de slogan em inglês no Brasil. Em um primeiro olhar a pergunta parece fazer sentido uma vez que diversas marcas se utilizam deste idioma aqui, como por exemplo:

• Honda – The power of dreams.

• Avon – The company for women.

• Nissan – SHIFT_the way you move.

• Purina – Your pet. Our passion.

• Hyunday – Drive your way.

• LG – Life´s Good.

• Volvo – Life is better lived together.

• Philips – sense and simplicity.

E se olharmos do ponto de vista do consumidor, qual a sua percepção do uso do inglês associado às marcas? A discussão pode ser aprofundada de duas formas: compreendendo qual a percepção gerada pelo uso do inglês, a despeito da compreensão de seu conteúdo, e entendendo o nível de conhecimento dos consumidores sobre o idioma.

Uma pesquisa realizada pela GFK, com 1.500 consumidores brasileiros, procurou auxiliar nestas questões. De início, pode-se dizer que o inglês é reconhecido como uma língua universal, sendo assim há um bom entendimento e aceitação do seu uso nas mensagens publicitárias.

E, independentemente da compreensão da frase, algumas mensagens são transmitidas quando se utiliza um slogan em inglês. Em especial, há uma associação da marca com qualidade, sofisticação e prestígio, transmitindo segurança pela associação com uma marca global, do primeiro mundo. Assim, se o posicionamento da marca for consistente com estes valores, o uso do inglês irá reforçar este posicionamento, mesmo que o público alvo não tenha compreensão da língua e do conteúdo da mensagem.

Agora, vejamos como se dá a questão da compreensão do idioma. Segundo o estudo, 32% dos entrevistados afirmaram entender inglês, sendo 28% um pouco; 2% quase tudo e 2% tudo. Ou seja, já estamos tratando de um universo restrito a cerca de 1 em cada 3 consumidores brasileiros.

Como confirmação desta declaração, estes entrevistados foram solicitados a apresentar sua compreensão sobre 5 slogans em inglês. Como resultado, daqueles que afirmaram compreender o inglês, 82% não conseguiram compreender corretamente nenhuma das 5 frases.

Em resumo, do total dos consumidores brasileiros, 4% entendem bem o inglês; 2% entendem alguma coisa; 26% dizem que entendem, mas não entendem; e 68% assumem que não entendem o inglês.

Ainda segundo a pesquisa, o perfil de quem entende inglês, com destaque, é composto por: homens, jovens, solteiros, com escolaridade mais elevada, executivos e profissionais liberais. A grande questão é: se o público alvo da marca é este, perfeito! O slogan em inglês transmite o conteúdo de sua mensagem. Se não, apenas o conteúdo genérico daqueles atributos relacionados anteriormente (sofisticação, global etc.) é percebido.

Entretanto, o desafio de construção de slogans eficientes não se limita à questão do idioma de Shakespeare. Em grande parte, nossos consumidores têm limitações para compreender também mensagens escritas no idioma de Oswald de Andrade.

De fato, quando apresentados a um slogan em português, 64% dos entrevistados apresentaram entendimento correto da mensagem; 6% entendimento errado e 30% nenhum entendimento do que a empresa queria transmitir com a frase.

Este cenário ajuda a compreender a baixa associação entre slogans e marcas. Entre diversas marcas testadas, em inglês e português, a maior associação correta foi de apenas 30% dos entrevistados, no caso de “Natura” e “Bem estar bem”. Esta reflexão busca destacar os cuidados importantes na construção e uso desta poderosa ferramenta de construção de marca – o slogan, em especial na atenção que deve ser dada ao consumidor alvo da mensagem, nas suas características demográficas, atitudinais, regionais etc.

E, para finalizar, dois usos exemplares de slogans em um mesmo universo de bebidas alcoólicas:

• 51, Uma boa idéia – em português, simples e de fácil compreensão, forte e impactante, voltado para um público amplo e, no geral, com menor grau de instrução.

• Keep walking, Johnnie Walker – em inglês, simples e direto, fortemente associado à essência da marca, voltado para um público alvo similar ao perfil que entende o idioma.

Mario Mattos (mario.matos@gfk.com) é diretor de marketing da GfK Brasil.

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Spam: crime ou castigo?

Carlos Cabral

Atire a primeira pedra aquele que nunca acordou no domingo antes do horário de que gostaria por causa de algum vendedor de sorvete, pamonha ou produtos de limpeza em seus carros de som. Quem nunca chegou em casa e encontrou sua caixa de correio lotada de folhetos de pizzaria, supermercados, cartomantes com a promessa de fazer “amarração” para o amor ou aumentar a potência sexual? Há até “correntes” para aumentar sua renda, das quais, se você não tirar trinta cópias e repassar, lamentará alguns anos de azar. E os telefonemas com o intuito de vender assinatura de jornal, revista e cartão de crédito que ocorrem nas horas mais extrordinárias (e inoportunas)? Sem contar aqueles que nos pedem para contribuir com uma instituição de caridade da qual não há prova de que exista a não ser pela pessoa que vem buscar o dinheiro. Todos estes meios de tentar nos tomar a atenção de forma não solicitada existem há muito tempo e a sua evolução para o ambiente tecnológico foi denominada como “spam”.Hoje, toda caixa de correio na Internet é passível de receber mensagens com promoções de Viagra, Xenical, oferecendo prêmios em dinheiro, formas revolucionárias para o aumento dos seios e do pênis (não importa se você não tenha uma coisa ou outra), links para sites racistas, de pornografia em geral, vendas de equipamentos eletrônicos, meios incríveis de se fazer dinheiro fácil, fotos de pessoas mortas em acidentes (tem quem gosta), fotos de moças russas dispostas a casar com estrangeiros…

E, dentre milhares de outras coisas, você também pode receber e-mails criminosos com programas que guardam tudo que é digitado em seu computador em um arquivo que é enviado periodicamente para o criminoso, ou até mensagens em que o intuito é se passar pelo seu banco, solicitando que seja feito um recadastramento ou algo do tipo, em que você deve acessar um site bem parecido com o do banco do qual você é correntista e inserir suas senhas para que, sem você perceber, outra pessoa tenha acesso à sua conta corrente.

Atualmente o spam é um dos maiores e mais irritantes problemas da Internet e toda esta irrritação resulta em prejuízos relacionados ao tráfego das mensagens, espaço em disco dos servidores de correio, negócios que deixam de ser fechados pelo motivo de uma mailbox estar lotada de mensagens não solicitadas, queda na produtividade dos funcionários, entre outras coisas. Naturalmente mudar de casa para não receber correspondências não solicitadas é bem mais difícil que mudar de endereço de e-mail, mas se este endereço estiver profundamente atrelado à sua marca e conseqüentemente ao seu negócio, tudo fica mais difícil.

Entretanto, se você está assustado com toda esta abrangência do spam, vale a pena lembrar que a velocidade em que um endereço de e-mail cai nas mãos de spammers (pessoas que enviam spam) é extremamente grande. Tentando medir o tempo deste processo, investigadores do Federal Trade Commission nos Estados Unidos postaram alguns endereços tidos como secretos em salas de chat e newsgroups e o primeiro spam chegou nove minutos depois, conforme demonstra o escritor e repórter do New York Times, James Gleick em seu artigo “A plague on E-mail”.

Você deve estar se perguntando: “como meu endereço de e-mail foi parar nas mãos destas pessoas?”. Da mesma forma que existe no mundo físico um mercado de endereços para mala direta ou de empresas para o envio de currículo, antigamente disponíveis em listas de papel e hoje em CDs, também é possivel encontrar, isto é, comprar listas de endereços para spam, e estes endereços na maioria das vezes são uma compilação dos dados obtidos, legalmente ou não, de cadastros em sites. Portanto, se você já se cadastrou em um site qualquer, é bem possível que seu endereço esteja em alguma lista de spam.

O custo deste tipo de negócio (se é que podemos chamar de negócio) para o spammer é quase zero, comparado com uma panfletagem ou aluguel de um carro de som. Basta um computador, uma linha telefônica, no mínimo, para a conexão com a Internet, conhecimento técnico para driblar alguns serviços antispam e pronto! O retorno de uma única mensagem, seja ela criminosa ou não, já valeu o investimento.

Alguns spammers se defendem dizendo que já somos bombardeados por publicidade não desejada no rádio, TV, etc., o que justificaria o spam. A publicidade não desejada, como a panfletagem, os carros de som e outros, é tão intrusiva e irritante quanto o envio de mensagens não solicitadas via Internet, mas o fato de não conseguirmos reduzir ou até acabar com este tipo de irritação não é prerrogativa para a existência do spam. Se já somos bombardeados por tanta propaganda indesejável, será que é realmente necessário aumentar o alcance deste arsenal?

InfoGuerra

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