Para conhecer mais a Dubcom Branding acesse: www.dubcom.com.br
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Ele tentou de todo jeito ser indenizado. Ficava em cerca de US$ 2.000,00.
Depois de várias tentativas e muita canseira, convencido de que não seria ressarcido e bastante injuriado, ele, músico, fez um clip baratinho sobre o ocorrido e postou no YouTube.
Mais de 4.5 milhões de acessos e 30 mil avaliações 5 estrelas. Virou hit!
A United Airlines já apresentou várias propostas para tirar o clip do ar.
Mas agora, segundo ele, o tempo dos “espertos” da United passou. O clip continua no ar.
Dez para o cara, zero para a United Airlines.
Apreciem.
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Liverpool Baquetas lança sua nova marca, forte e cheia de estilo.

Em constante estudo para surpreender e aproximar cada vez mais seu público, a Liverpool lança sua nova marca.
A tradicional empresa de baquetas agregou modernidade ao novo conceito. O estilo original está inserido em um logotipo forte, atual e de fácil identificação, que apresenta dinamismo e movimento, em uma alusão ao ato de tocar bateria.
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Lembrando uma baqueta, a letra “i” ganha destaque e posiciona o mercado da empresa, que distribui para cerca de 30 países com mais de 300 modelos entre baquetas e acessórios.
Foram meses de estudos desenvolvidos pela Dubcom Branding de Florianópolis, responsável pela comunicação, digital, design e branding, que integrou o produto à marca, criando um laço emocional ainda maior com o público.
Há mais de 21 anos no mercado, a empresa é líder nacional na produção e vendas de baquetas e conquistou pelo 5º ano consecutivo o Top of Mind como a melhor baqueta, através da Pesquisa Synovate da revista Música & Mercado.
Acesse www.baquetasliverpool.com.br e saiba mais.
Maiores informações:
Dubcom Branding
Jonatas Solonca
(48) 3348-9999
Entao veja 1 video aquiVídeos fofinhos em Stop Motion foram produzidos pelo Google do Japao para mostrar, de forma criativa, como funciona o processo de captaçao e publicaçao de imagens do Google Street View. Confira abaixo. A dica é do Boing Boing.
Fonte: Blue Bus

Por Guilherme Neto, do Mundo do Marketing | 17/08/2009
A M&M’s vem chamando a atenção dos cinéfilos paulistas nos últimos meses com uma sala especialmente decorada com um visual que remete à marca e seus produtos. Com poltronas disponíveis em cores variadas e os mascotes estampados nas paredes e no chão do espaço, a Sala M&M’s do Cinemark no Shopping Eldorado, em São Paulo, virou case de experiência da marca.
Esse é apenas um dos novos passos tomado pela fabricante Mars Brasil para promover seu produto no país. A marca de chocolates mais vendida do mundo, segundo dados da Euromonior, também tem apresentado um bom resultado no Brasil, quarto maior mercado de consumo de chocolate no mundo, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Chocolate, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab). A M&M’s no Brasil cresceu 50% no ano passado e 31% no acumulado desse ano. Com o sucesso, pode ficar difícil para alguns consumidores acreditarem que o produto tenha apenas pouco mais de 10 anos de presença no Brasil, tamanha sua força no mercado local.
Entre os projetos mais recentes adotados pela subsidiária brasileira da multinacional de origem americana está o desenvolvimento do projeto My M&M´s, lançado em 2004 nos Estados Unidos. Lá, o consumidor pode personalizar as pastilhas do chocolate para consumo próprio, realizando seu pedido exclusivamente através da internet. Podem ser escolhidos desde a cor até a mensagem e as imagens impressas no chocolate e nas embalagens.
Edição brasileira do My M&M’s tem foco no mercado corporativo
Por aqui, o projeto começou assim que a nova máquina especializada para atender esse tipo de demanda chegou à fabrica no Brasil. Por enquanto, o serviço é oferecido apenas para o mercado corporativo, público que também é atendido pelo projeto original nos Estados Unidos, ainda que represente apenas 20% do total dos pedidos. “No Brasil, a primeira cliente foi a operadora Oi, que distribuiu pastilhas com sua logomarca impressa a funcionários em um evento interno em maio”, conta Gerson Francisco, diretor de negócios de chocolate e food da Mars Brasil, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Com outras ideias inovadoras em andamento ou em processo de criação no Brasil, a multinacional vê no país um dos seus mercados chaves para desenvolver sua área de chocolates, que representa 42,2% do faturamento da companhia em todo o mundo. Perde apenas para as marcas de alimentação para cães e gatos (49,5%), incluídas Whiskas e Pedigree.
Apesar disso, a história da marca de chocolate percorreria um longo caminho antes de chegar por aqui. A M&M´s surgiu em 1941, quando o comerciante Forrest Mars desenvolveu uma fórmula que evitava que os chocolates se derretessem, inspirada nos soldados americanos que envolviam o doce em cascas duras açucaradas. Nessa época, a Mars já fazia sucesso com sua linha de chocolates, entre eles Snickers, hoje o segundo chocolate mais vendido do mundo, e havia iniciado sua linha de alimentos para cães e gatos com a aquisição da companhia britânica Chappel Brothers .
Boa exposição na mídia é parte do sucesso da marca
Foi pensando nos soldados americanos que o produto chegou ao mercado local em embalagens de cartolina em formato de tubos para suportar viagens sob qualquer clima, o que acabou tornando-o um sucesso não apenas entre os americanos que serviam na Segunda Guerra Mundial, mas entre os consumidores locais que viviam o momento de prosperidade pós-guerra.
Duas características tradicionais do produto só seriam adotadas anos depois: o saquinho marrom, que substituiu o tubo em 1948, e a marca “m” impressa nas pastilhas, inaugurada em 1950. O sucesso se prolongaria com o advento da televisão nessa época, que desde seus primeiros anos já exibia comerciais cativantes com os mascotes da companhia.
Mas isso não impediu a Mars de promover seu produto em frentes inovadoras. Uma boa exposição aconteceria em 1982, quando os M&Ms foram selecionados pela NASA como parte da alimentação dos astronautas em viagens espaciais. Nessa época, a Mars já se espalhava pelo mundo, tendo chegado ao Brasil em 1978. Ainda que a área de chocolate fosse a de maior faturamento da empresa, a multinacional atuaria até 1994 apenas com alimentação, com o arroz Uncle Ben´s e as rações para cães e gatos.
Primeiro chocolate da Mars lançado no Brasil provou-se um fracasso
A consolidação de marcas concorrentes presentes no mercado brasileiro há décadas havia impedido até então o lançamento de M&Ms e outros chocolates da Mars no Brasil. Isso mudou quando a companhia lançou o chocolate Astro exclusivamente no Nordeste, produto inédito da companhia em todo o mundo que tinha como principal conceito seus valores nutritivos e a resistência a altas temperaturas.
O lançamento do produto, que motivou a inauguração de uma fábrica em Pernambuco, no entanto, tornou-se um fracasso amargo por conta do baixo consumo de chocolates na região, da forte concorrência e baixa aceitação do produto, promovido como suplemento nutricional. Mas a Mars não desistiu e trouxe ao Brasil o M&M’s em 1996, aproveitando a infra-estrutura já montada para o Astro. O produto era encontrado principalmente em grandes varejistas nacionais, primeiramente na região Nordeste, mas já se espalhava pelo Brasil no ano seguinte.
“Foi feito um grande investimento de lançamento em todo o país, com vários filmes desenvolvidos para a TV que até hoje têm repercussão entre o público. O conceito de cor e diversão aliado ao chocolate caiu no gosto do público brasileiro”, explica Francisco, da Mars Brasil, que lançaria nos anos seguintes Twix e Snickers no país, além de Skittles e Dove, hoje descontinuados.
Ações ousadas mantiveram o produto na mente dos consumidores
Nos Estados Unidos, a marca M&M’s continuava literalmente na boca do povo com ações inusitadas e pioneiras, como o M&M’s Studio, hotsite aberto em 1996, nos primórdios da internet. No portal, a marca parodiava o universo de Hollywood utilizando seus mascotes, onde os internautas poderiam acompanhar detalhes sobre suas vidas de celebridades.
No ano seguinte, a Mars inauguraria em Las Vegas a M&M’s World, loja especializada no chocolate que vendia desde o doce em si até camisetas e brinquedos licenciados. Com quatro andares, a loja conta com um cinema 3D e a famosa “My Color Wall” (foto), parede com diversos dispensers de pastilhas M&M´s separados nas mais variadas cores possíveis, muitas delas não encontradas no produto tradicional. Com o sucesso, a Mars abriu outras filiais em Orlando (2005) e Nova Iorque (2006). Em 2007, só a loja de Las Vegas havia recebido oito milhões de visitantes.
Em 2004, uma promoção ousada movimentou o mercado de chocolates americanos. No réveillon daquele ano, os chocolates M&M´s perderam suas cores, sendo encontradas apenas pastilhas brancas e pretas em suas embalagens. Tudo isso como parte da ação a “Great Color Quest”, que premiava os seis consumidores que encontrassem as pastilhas coloridas em uma das embalagens. E foi assim durante dois meses e meio, quando as pastilhas coloridas foram oficialmente “encontradas” e reintroduzidas. Cada um dos seis vencedores ganhou um carro e mais US$ 20 mil em dinheiro, além de uma viagem para Las Vegas.
Tudo isso era uma estratégia para chamar a atenção para uma pequena reformulação na aparência dos produtos, a primeira após mais de 60 anos: o “m” impresso, que ficou um pouco maior, e uma cor mais vívida nas pastilhas. O resultado foi a volta no crescimento de vendas do produto, após um longo período de estagnação. O case foi replicado no Brasil de forma semelhante, quando a cor vermelha foi retirada das embalagens. Foram 2.500 prêmios de R$ 100 cada para quem a encontrasse.
Mars Brasil também conta com cases inovadores
A marca agregou inovação com a extensão de linha nos Estados Unidos, com novos sabores como amendoim e amêndoa, alguns em edições limitadas. Também foram realizadas extensões de marca, com o lançamento do sorvete Ice Cream Treats, o chocolate M&M´s Premiums, promovido como opção de presente, e o M&M´s Minis, também já lançado no Brasil, reintroduzindo a clássica embalagem em tubo com pastilhas menores de chocolate.
A Mars Brasil não deixou de desenvolver suas próprias ideias inovadoras e inéditas em todo o mundo. Em 2008, a empresa montaria pela primeira vez a Sala M&M’s de cinema em uma das salas Kinoplex em São Paulo, case de sucesso atualmente aplicado no Cinemark do Shopping Eldorado, também na capital paulista.
A ideia é reforçar a marca na mente dos consumidores oferecendo uma oportunidade de vivenciá-la, onde o sucesso é mensurado através da reação do público. “Os comentários ligados aos resultados de quem estava por lá era sempre positivo, com consumidores tirando e trocando fotos. Claro que há um aumento de vendas de chocolates M&M’s no cinema ou na vizinhança, mas esse não é o principal objetivo”, comemora o executivo da empresa.
Mudança da fábrica para São Paulo agilizou processos internos
A Mars também utiliza a Páscoa, principal data para o mercado, para reforçar a marca entre os consumidores. Em outros anos já havia produzido alguns chocolates tradicionalmente em formato de ovo em parceria com a Bauducco, que distribuiu e promoveu os produtos no ponto de venda. Porém, esse ano a própria detentora da marca se encarregou de produzir pela primeira vez edições limitadas para o período: pastilhas de M&M’s em formato de ovinhos e o M&M’s Gigante, caixa no formato do chocolate redondo que vinha com 104g do produto.
A novidade foi possível por conta de outro trunfo comemorado pela empresa: a mudança de fábrica em 2006 de Pernambuco para Guararema (SP), que possibilitou uma maior agilidade nos processos burocráticos das marcas da categoria da empresa com a aproximação do mercado consumidor da região Sudeste, onde mais se consome chocolate no Brasil. A transferência facilitou também o trabalho de distribuição de produtos, que hoje já pode ser encontrado em varejistas de menor porte ou regionais, facilitando sua expansão pelo Brasil.
Ainda que ações ousadas como a loja M&M´s ou o M&M´s Premiums ainda não sejam encontradas no Brasil, algumas delas já encontram em desenvolvimento, como a introdução de edições limitadas ou o próprio projeto My M&M’s. “Nessa primeira fase queremos fortalecer a relação do consumidor com a marca para partir para ações ainda mais ousadas. Afinal, nos Estados Unidos a marca tem mais de 70 anos de história, enquanto no Brasil possui 13”, explica o diretor de negócios de chocolate e food da Mars Brasil. Ainda assim, o bom esforço de Marketing faz parecer que a marca tem décadas de presença no Brasil.
O P da FOTOPTICA partiu; e não volta mais. Daqui para frente e para sempre, FOTOTICA. A partir de agosto de 2009 o P é retirado da marca, das fachadas, dos cartões, dos álbuns de fotografia, da narrativa, da história. A FOTOPTICA MORREU; VIVA A FOTOTICA! VIVA?
Tudo começa nos anos 20, mas especificamente em 1920, como uma das primeiras iniciativas empresariais a partir do final da 1ª Grande Guerra. Dentre os imigrantes que escolheram o Brasil para recomeçarem, a presença do húngaro DESIDÉRIO FARKAS, que tinha nos instrumentos de precisão e nas artes gráficas suas duas grandes paixões, e decidiu-se por abrir a FOTOPTICA, filial da empresa HAFA que pertencia a sua família. Era o exato momento em que o mundo e o Brasil descobriam e gradativamente aderiam à fotografia. Naquela época, o centro de São Paulo era o velho centro, que ia da PRAÇA DO PATRIARCA ao LARGO DE SÃO BENTO, e onde pontificavam a RUA DIREITA, a SÃO BENTO, a LIBERO BADARÓ, e a XV DE NOVEMBRO. DESIDÉRIO apostou todas as fichas na SÃO BENTO e lá plantou as raízes de uma aventura empresarial que possibilitou às famílias paulistanas o registro de milhões e milhões de recordações depois de filmes devidamente revelados e copiados em papel fotográfico.
Em poucos meses a pequena loja da SÃO BENTO converteu-se em point. Onde se reuniam os amantes da fotografia, das artes gráficas, designers, e diretores de arte; imediatamente incorporou à sua denominação o positioning CASA DE CRIADORES. 21 anos depois uma segunda loja na própria SÃO BENTO, em 1967 a loja do SHOPPING IGUATEMI, nos anos 80 multiplicou quiosques pela cidade num total de 250, e, assim, tudo o que aconteceu com a fotografia em nosso país, dos anos 20 aos 80, teve a presença da marca, de seu fundador, e muito especialmente de seu filho, fotógrafo magistral, THOMAZ JORGE FARKAS, que assumiu o comando da rede após a morte do pai em 1960.
Em 1998 a FOTOPTICA foi vendida, e em 2007 passou a integrar o grupo holandês HALL INVESTMENTS. E agora o P foi embora, o negócio de fotografia mudou por completo e é outro, e a empresa decidiu concentrar integralmente seu foco na segunda metade da palavra: ÓTICA: Venda de óculos e serviços correlatos para consumidores da classe média do país.
A animação e confiança é enorme, o reposicionamento foi totalmente lastreado por pesquisas e estudos, as lojas renovadas considerando a especialização, e, segundo seus novos proprietários e dirigentes, a ideia é ter 500 lojas até 2012 espalhadas nas principais capitais brasileiras.
Isso posto, sai FOTOPTICA, entra FOTOTICA. Que sobre a MARCA que deixou uma MARCA de emoção e qualidade ocupando espaço privilegiado nas gavetas, nos álbuns e nos corações de milhões de paulistanos seus novos gestores consigam construir um segundo ato com semelhante sensibilidade e competência.
Não vai ser fácil.
Link Original: http://www.madiamundomarketing.com.br/landmarketing/536/O-P-PARTIU.php
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Do grego krísis, “ação ou faculdade de distinguir, ação de escolher, decidir, julgar”, do verbo krínó, “separar, decidir, distinguir, discernir”, segundo o dicionário Houaiss, o significado da palavra “crise” já traz em si um verdadeiro turbilhão de sentidos e sentimentos. Crise econômica, global, existencial, social, crise no senado, crises das mais variadas que assolam países e populações. Mudam o rumo das coisas e nós vamos nos adaptando.
Existem ainda aquelas crises pessoais que nos paralisam, embotam nosso raciocínio e nossa produção. Para os artistas, essa crise pode vir em forma de ausência temporária de criatividade. Não há quem não tenha lido ou escutado falar sobre um compositor, cineasta, escritor, teatrólogo ou artista plástico que, sem muita explicação, deixa de lado seus trabalhos para vivenciar a fundo tal situação.
É quando uma palavra teima em não ser encontrada, uma nota se esconde na escala musical ou um traço cisma em ficar como ele bem entende que o fantasma da crise de criatividade pode aparecer. Para o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, ganhador do Prêmio Jabuti em 2008 por seu romance O menino que vendia palavras, a crise é um fato. “Você não cria o tempo inteiro, não está sempre com uma excelente disposição, não tem sempre inspiração e chega um momento em que dá o branco, em que dá o bloqueio e você fica sem saber pra onde ir”, explica. “Isso não é normal, nem frequente, mas acontece com muitos.”
O processo de criação não é fácil e não há como imaginar um artista que crie em tempo integral. Roger Bassetto, artista plástico, criador da livraria e galeria de arte Pop, concorda com Loyola. “Existem períodos menos fluentes e existe a ‘resistência’, que é a inimiga da criatividade. É uma força negativa que faz a gente adiar o trabalho criativo, e é tão forte que o escritor Steven Pressfield escreveu um livro conceituando o assunto chamado A guerra da arte – supere os bloqueios e vença (esgotado).” Na opinião de Marcelino Freire, autor, entre outros, do livro Contos negreiros, vencedor do Jabuti em 2006, a crise existe a toda hora. “É um vazio, um vácuo, e isso acontece, geralmente, quando a gente acaba de publicar um livro. Aí dá uma crise pós-parto.” Para ele, os personagens deixam saudade e falta força para se segurar em pé. “Dá um certo branco na página”, diz. Os gatilhos são variados, mas a própria cobrança, os prazos, os compromissos com patrocinadores podem gerar uma ansiedade que acaba por inibir a criação. Por outro lado, como diz a máxima de Jean-Paul Sartre, “a necessidade é a mãe das artes, mas também a avó dos vícios.” Ugo Giorgetti, cineasta, diretor de Festa, Sábado, Boleiros 1 e 2 e do documentário Pizza, é possível que essa crise exista, mas ela diminui consideravelmente se você vive do que faz. “Se você precisa, por exemplo, escrever ou filmar para ganhar o próprio sustento, à medida que se aproxima o fim do mês e o momento de pagar as contas, a crise vai passando.” Ugo se considera em crise permanente. “O gatilho que a impulsiona é acionado, entre outras coisas, logo cedo, com a leitura dos jornais matinais, mas ela dura pouco. ”, diz o cineasta.
Para muitos artistas, uma crise constante convive em harmonia com a criatividade. É como se ela fizesse parte do processo. Edith Derdyk, artista plástica com exposições no Brasil e no exterior, autora de livros como Linha de horizonte: por uma poética do ato da criação (esgotado), e do infantil O colecionador de palavras, entre outros, é um exemplo de que a criatividade e a crise andam sempre de mãos dadas. “É como a vida e a morte – a gente não consegue pensar na vida sem pensar na morte, e assim também acontece quando vivo o trabalho”, explica. “Compreendo a crise como a troca de pele, como a morte de um trabalho já feito, já conhecido, já experimentado ão se sabe como será!”
Ugo Giorgetti acredita que o processo de criação é sempre uma consequência das diversas crises que vamos experimentando ao longo da vida. “Na realidade, as crises não impedem a criação, ao contrário, alimentam. Toda a criação se ergue como reação a crises das mais variadas espécies.” E lembra: “As obras mais importantes são as que foram construídas contra alguma coisa”.
COMPOSITOR DE DESTINOS
A ideia de que os criativos vivem em crise não pode ser nunca confundida com achaques de prima-donas. A criação tem seu tempo, sua gestação, como diz o compositor Jean Garfunkel, autor de sucessos conhecidos nas vozes de Elis Regina (Calcanhar-de-aquiles), Maria Rita(Não vale a pena), e Zizi Possi (Gato gaiato), entre outros. “Às vezes, a coisa emperra um pouco, mas acho que faz parte da ‘gestação’, o fundamental é se divertir durante o processo”, diz Jean. “A criança é sempre criativa quando está brincando. Paulo Garfunkel, meu irmão e parceiro, diz que compor é que nem sair pra pescar: ‘Jogue a linha em água turva, fique atento e sossegado. Vai pescar botina suja. Vai pescar peixe dourado.’”
E é o tempo o senhor da criação! “Tempo, tempo, tempo, tempo, compositor de destinos, tambor de todos os ritmos”, como diz Caetano Veloso em sua Oração ao tempo. O psiquiatra e escritor Contardo Calligaris acredita que qualquer tipo de trabalho criativo tem um tempo próprio. “O problema de onde talvez surja a ideia da crise de criação é que nós todos somos muito pouco tolerantes com os tempos próprios dos projetos que nós temos”, explica. “A intolerância com o tempo pedido por uma criação é o que toma, por um lado, o aspecto de uma crise de criação, e por outro, produz realmente uma crise criativa e, se você tenta se brutalizar ou brutalizar o tempo necessário para aquela criação, você vai efetivamente bater numa parede.” Como disse Caetano, “tempo, tempo, tempo, tempo, entro num acordo contigo.”
Ao escrever um monólogo para o teatro, Calligaris passou por uma experiência muito interessante sobre o tempo das coisas. “Passei sete ou oito meses tomando notas sobre coisas que eu pensava e escrevi o texto de um sábado, às 10 horas, a um domingo, ao meio-dia, à força de cafeína”, conta divertido. “O monólogo era uma coisa falada por um personagem, numa noite de reflexão. Foi a temporalidade própria da criação. Se tivesse tentado escrever isso em retalhos de tempo, provavelmente nunca teria saído”, conclui.
O tempo do processo de criação não é igual ao da produção de um trabalho, diz Edith Derdyk, que acredita que essa ideia de “ter de produzir” está vinculada a uma visão de mercado. “Existe uma produção imaterial, mental, conceitual, que sempre está se fazendo sem se fazer visivelmente, ou seja, existe uma outra experiência de tempo embutida no processo de criação que nem sempre coincide com uma necessidade obrigatória de visibilidade e rapidez.”
Calligaris diz ainda que o tempo que a criação exige é semelhante ao da culinária. “É como na cozinha, existem massas que precisam descansar e, se você não faz isso, o prato não sai, mas há outras que você precisa começar e terminar, como a maionese, por exemplo”, compara. “Acho que cada criação tem o tempo próprio, pode ter o tempo da maionese ou pode precisar descansar, como a massa.”
O psiquiatra sugere que se pare e retome em outro momento. “Quem sabe fazendo outra coisa, quem sabe se deixando livre para pensar”, explica. Marcelino vai nessa direção. “Não gosto muito de ficar adulando um texto, prefiro me distanciar dele”, conta o escritor. “Deixo a coisa cozinhar um pouco, jogo o conto no esquecimento, até lembrar de novo dele.” E complementa: “É bom deixar o vulcão adormecer um pouco, uma hora a coisa explode”.
IMPASSES DA CRIAÇÃO
Como disse Bernard Shaw, “a ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito”. Se não se respeita o tempo da criação, a ansiedade pode acabar com ela. Noites mal-dormidas, culpa e desespero se fazem presentes e aí a coisa desanda, paralisa. É a crise de criatividade gerada pelo próprio processo de criação. “Antigamente, eu ficava muito ansioso, muito preocupado, ficava tentando ver o que ia fazer, até o momento que falei: ‘relaxa’”, diz Ignácio de Loyola. “Enquanto você fica ansioso, acaba não encontrando solução nenhuma, ou encontrando soluções ruins ou ainda ficando cada vez mais bloqueado.” Para o escritor, a falta de solução para o problema de um texto, roteiro ou letra de música prende e paralisa. “A ansiedade, às vezes, é criativa, mas não nesse caso.” Loyola lembra de Federico Fellini: “A coisa mais genial que conheço sobre uma crise se chama 8 e 1/2, do Fellini, é um diretor que não consegue átudo pronto e o filme não sai”.
Marcelino Freire precisa de paz para criar. “Não consigo criar se estou encurralado, triste demais, cabisbaixo… Fico pensando na crise, envolvido por ela, e não faço nadica de nada.” Opinião compartilhada por Jean Garfunkel. “A crise está ligada ao momento histórico do criador, de baixa ou alta autoestima, e o seu grau de expectativa de desempenho diante do desafio criativo proposto”, explica o compositor. “O processo criativo envolve um risco. O cara tem que se sentir confiante pra poder brincar, experimentar e errar sem medo do ridículo.”
Nesse sentido, Calligaris ilustra com Freud. “Ele dizia que toda inibição, de qualquer tipo, é produzida por um excesso de erotização, ou seja, quanto mais a gente investe, digamos assim, energia, desejo em alguma coisa, tanto mais é fácil encontrar uma inibição.” E exemplifica: “Quando você acha um encontro importantíssimo, decisivo e pensa naquilo todos os dias, é muito provável que, primeiro, você se atrase, segundo, uma vez sentado à mesa, consiga derrubar um copo de vinho na pessoa com quem você está, e tudo vai acontecer exatamente porque você erotizou demais, investiu totalmente naquilo e isso acontece na criação sob forma de inibição criativa, de crise”, conclui o psiquiatra.
EXCESSO DE INFORMAÇÃO
A internet revolucionou hábitos, profissões, informações, encontros, revolucionou até mesmo o tempo de algumas coisas. Há de tudo no mundo virtual, mas não é só ali. Livros, filmes, peças teatrais, revistas, quadrinhos, jornais… Sem falar na TV! Todos os dias, somos bombardeados com lançamentos e novidades, por vezes bastante duvidosos. Esse número absurdo de informações que chega até nós pelos diferentes meios de comunicação pode nos trazer a sensação de que tudo já foi feito, mas a verdade não é bem assim. “Se você começa a pensar dessa forma, não cria mais nada”, diz Loyola. “Você tem que pensar em criar, e não pensar o tempo inteiro em revolucionar a arte, tem que pensar que tem alguma coisa para dizer e que deve dizer.”
O “como” dizer é o que importa para Edith Derdyk. Para ela, essa é a grande questão da arte. “Se tudo já foi feito, escrito, retratado, ‘como’ foi feito, ‘como’ foi retratado?”, questiona. “As histórias podem ser sempre as mesmas, o que as diferencia é o ‘como’ elas são contadas, ou recontadas.”Mas não é o excesso de informação que pode levar os artistas a viver uma crise de criatividade. Quando eles têm algo a dizer, mergulham nas águas mais profundas e nem sempre calmas da alma e ali encontram sua paz ou sua crise para iniciar a criação.
Marcelino Freire diz não acreditar que esse bombardeio de informações atrapalhe sua criação. “a possível ‘paralisia’ tem mais a ver com a alma – na hora em que ela encalha , teima, silencia; na hora em que não encontra expressão, o grito certeiro na goela.” ugo Giorgetti concorda: “o sem-número de informações que nos chegam não atrapalham porque são, em número esmagador, falsas informações, quando não perfeitas idiotices”, diz o cineasta. “não costumo pensar nessas coisas, não”, diz o compositor Jean Garfunkel sobre o massacre informativo. “acho que a informação que realmente interessa é aquela que te atinge profundamente, é aquilo que emociona ou que te faz dar risadas, não aquilo que te irrita.”
TUDO A SEU TEMPO
“Meu, relaxa!” esse é o conselho do Calligaris psiquiatra para o Calligaris escritor quando a coisa empaca. Para ele, o tempo do relaxamento é tão útil quanto o tempo que passa escrevendo. “tirei férias para avançar no meu segundo romance, sai vinte dias para escrever. durante os primeiros oito dias, não escrevi nada. não sei por quê, mas não estava a fim, e não só não me desesperei como fiquei absolutamente leve, fiquei ao lado da piscina, li uns sete romances, comi bastante foie gras e a partir do oitavo, nono dia, comecei a escrever”, conta.
Não há receitas, conselhos nem formatos certos ou errados para que o processo de criação caminhe com a desenvoltura desejada. o silêncio, o distanciamento, o relaxamento – e, por que não dizer, uma cerveja com os amigos – podem ser muito mais importantes. Às vezes, como diz Marcelino, só bebendo. “Quando estanco, vou à cerveja, vou encontrar os amigos e, entre um gole e outro, uma frase vem, distraída. aí, eu guardo a frase no juízo. Volto para casa e ao texto e, na maioria das vezes, a coisa se oxigena, caminha naturalmente.” roger bassetto aconselha mandar a crise passear. “o principal é saber conviver com ela, é pegar a crise e levá-la para tomar um Jack daniel’s”, diz o artista plástico.
Ignácio de Loyola Brandão foi mais fundo e chegou a parar de escrever por um tempo. “eu identifiquei um período de crise, em meados dos anos 80, em que decidi que ia parar de escrever, parar de fazer tudo, ‘pronto, acabou, não tem mais caminho’”, pensava o escritor. “Isso foi seguido por um período de depressão, em 1985, 86, e aí passou, passou por si, não procurei ninguém e, quando percebi, já estava retomando meu ritmo, e retomar o próprio trabalho foi normal, gostoso.” o escritor acredita que, para sair de uma crise, o importante é deixar correr. “a única coisa a fazer é ficar quieto, deixá-la ir, porque ela tem o tempo dela.”sem dúvida, parar um projeto, distanciar-se da criação pode trazer culpa, principalmente quando os prazos estão no limite. Mas há quem prefira produzir sob a pressão deles. “Para mim, funciona”, diz bassetto. “a crise é uma forma de pressão que pode chegar ao desespero, mas, se for canalizada para a produção, pode ser estimulante”, conclui.
Mas, lembre-se sempre, o processo de criação não pode ser uma cruz. ao contrário, ele precisa ser divertido, deixar saudade. Como diz Jean Garfunkel, “a gente tem que se divertir e não se levar tão a sério. a inspiração, ou como se queira chamá-la, não suporta o mau humor”. É isso, respeitar o tempo das coisas e não esquecer nunca do lado bem-humorado da vida e da criação. esse é o grande segredo para afastar-se do fantasma da crise de criatividade, se não para sempre, pelo menos para distraí-lo enquanto concebe seu trabalho. ©
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CLASSICAL BEAT FEEVER
Muitas são as histórias mostradas em livros, discos, filmes e peças de teatro sobre a temida crise de criatividade. No cinema, não faltam exemplos. Em Adaptação (esgotado), de Spike Jonze e roteiro de Charlie Kaufman, um roteirista, o próprio Charlie, vivido por Nicolas Cage, é contratado para escrever um livro de uma jornalista (Meryl Streep) sobre orquídeas. o livro conta a história de John Laroche (Chris Cooper), um fornecedor de plantas que clona orquídeas raras para vendê-las a colecionadores. Sem inspiração para fazer a adaptação do livro para o cinema, Charlie resolve fazer um filme sobre um roteirista que não consegue adaptar um livro para um filme, usando o livro dela como base. Janela secreta (esgotado), de David Koepp, baseado no conto Meia- Noite e Dois Minutos: Janela Secreta, Jardim Secreto, publicado em 1990 no livro Depois da meia-noite (esgotado), de Stephen King, conta a história do escritor Mort rainey (Johnny Depp) em plena crise pessoal e de criatividade. Depois de se separar de sua esposa, ele decide se isolar em uma cabana para escrever seu novo livro. Porém, surge em seu refúgio John Shooter (John Turturro), que o acusa seguidamente de plágio. Sua vida vira um inferno, e ele é ameaçado de morte, caso não reconheça que roubou a história de John. Mas o grande clássico do cinema sobre o assunto é o belíssimo 8 e 1/2, de Federico Fellini, com trilha musical assinada pelo compositor Nino rota. Marcello Mastroiani, em atuação fantástica, vive Guido Anselmi, um cineasta atormentado pelo próprio sucesso e por uma terrível crise de criatividade. o título do filme é uma referência à carreira do próprio diretor, que até então já havia dirigido seis longas-metragens, dois episódios de filme e havia codirigido um longa-metragem. Alter ego de Fellini, Anselmi não consegue terminar um filme por total falta de ideias. Buscando uma saída, o cineasta passa a recordar a infância, seu casamento em crise, o relacionamento com a amante e com a família. Um filme imperdível! |

Fonte: Revista da Cultura | Setembro de 2009
07:03 Saiu o relatório BrandZ Top 100 de 2009 da Millward Brown Optimor, que traz as 100 marcas mais valiosas do mundo. De acordo com o documento, a mais valiosa continua sendo o Google, que este ano está cotada em USD 100 bilhoes – crescimento de 16% em relaçao ao ano anterior. Em 2o lugar vem a Microsoft, avaliada em USD 72,2 bilhoes, também com crescimento em relaçao ao ano passado (de 8%). Na sequência, Coca Cola, IBM e Apple, todas próximas dos USD 66 bilhoes. Notícia no TechCrunch.
Fonte: Blue Bus